Boletim Neuro Atual- Resenhas de Trabalhos Científicos em Neurologia.
Volume 2, Número 1, 2010
“Neuroethological approach to frontolimbic epileptic seizures and parasomnias: The same central pattern generators for the same behaviours.” Tassinari CA, Cantalupo G, Högl B, Cortelli P, Tassi L, Francione S, Nobili L,Meletti S, Rubboli G, Gardella E. Rev Neurol (Paris). 2009;165(10):762-8.
O artigo enfoca a semelhança semiológica e fisiopatogênica entre as crises epilépticas noturnas, principalmente as geradas no lobo frontal e temporal, e eventos não epilépticos caracterizados pelas parassonias do sono REM e NREM, pela semelhança dos movimentos estereotipados e repetitivos com padrões motores e comportamentais presentes em ambas entidades mórbidas, tais como: (a) automatismos oroalimentares, bruxismo e mordedura; (b) comportamentos ambulatoriais, variando da atividade clássica bimanual-bipedal das crises epilépticas hipermotoras frontais, episódios de vagueamento noturnos epilépticos ou não (wanderings), e sonambulismo até movimentos periódicos das pernas, ativação alterna dos músculos das pernas e síndrome das pernas inquietas; (c) vários eventos relacionados ao sono tais como medo ictal, terrores noturnos, pesadelos e comportamento violento.
Ao contrário do que se supunha, os eventos epilépticos ou não durante o sono nessas entidades são gerados, segundo os autores, nas mesmas estruturas denominadas de GERADOR PADRÃO CENTRAL – GPD, que são “organizações neurais funcionais‘‘’ presentes em todos os organismos e localizados principalmente na medula espinhal e tronco cerebral.
Os autores acreditam que o sono per se é uma condição caracterizada pelo rearranjo funcional cíclico da rede córtico-subcortical-espinal, favorecendo a modificação profunda das funções motoras. Acreditam que o mecanismo geral de liberação pode explicar como etiologias diferentes (crises epilépticas, evento anóxico ou relacionado ao ciclo do sono-despertar) podem promover uma cascata no movimento, até a atividade via CPG. Assim, este artigo tem importância como uma estratégia heurística de garantir desenvolvimento empírico sobre o conhecimento da expressão semiológica e etiofisiopatogênica de parassonias e alguns tipos de epilepsia.
Ana Cristina Favoreto
Marleide da Mota Gomes.
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Academia Brasileira de Neurologia-São Paulo, Brasil