Boletim Neuro Atual- Resenhas de Trabalhos Científicos em Neurologia.
Volume 2, Número 1, 2010
“Treating obstructive sleep apnea in adults with epilepsy: a randomized pilot trial.” Malow BA, Foldvary-Schaefer N, Vaughn BV, Selwa LM, Chervin RD, Weatherwax KJ, Wang L, Song Y. Neurology. 2008;71(8):572-7.
Várias estratégias terapêuticas vêm sendo consideradas para controle das crises epilépticas farmacorresistentes, como mais recentemente as relacionadas à melhoria da qualidade do sono. Estudos terapêuticos pequenos, não controlados, nem randomizados ou mascarados sugerem que o uso do continuous positive airway pressure (CPAP) em pacientes com epilepsia e síndrome da apneia obstrutiva (SAOS) reduzem a incidência de suas crises epilépticas. Tal informação é justificada pelo conhecimento de que a SAOS fragmenta o sono, o que leva à superficialização do mesmo, aos microdespertares e à precipitação de crises epilépticas.
Malow et al. construíram um estudo randomizado duplo cego piloto com uma amostra populacional constituída por pacientes com crises epilépticas refratárias e SAOS caracterizada pela polissonografia: 35 pacientes (22, com a intervenção, e outra de 13 com a falsa intervenção) que foram acompanhados por um período de 10 semanas. O resultado encontrado foi a redução significativa do Índice de apneia–hipopnéia observado com uso do CPAP terapêutico: 50% das crises em 28% dos pacientes do grupo terapêutico versus 15% do grupo placebo. No entanto, esse resultado não foi estatisticamente significante (p=0,40). O estudo poderia estar incorrendo em erro do tipo beta, consequentemente os autores aconselham a construção de estudos maiores envolvendo pacientes epilépticos com SAOS, o que pode estabelecer melhor a importância dessa intervenção na população estudada: 150 pacientes para cada grupo. Ressaltamos que se o follow-up for maior esse cálculo tende a diminuir, mas em compensação, o estudo também tenderá a ser mais complexo e difícil de ser conduzido.
Concluímos que dados preliminares sugerem que é importante o controle da SAOS na população estudada para a redução das crises epilépticas, mas há necessidade de aderência ao uso do CPAP, principalmente na população mais jovem. Independentemente da repercussão positiva nas crises epilépticas, o controle da SAOS se faz imperioso para a redução de eventos cárdio-vasculares, sonolência excessiva diurna e repercussões deletérias na memória e atenção.
Monique Venturi
Marleide da Mota Gomes
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Academia Brasileira de Neurologia-São Paulo, Brasil