Boletim Neuro Atual- Resenhas de Trabalhos Científicos em Neurologia.
Volume 2, Número 2, 2010
“Walsh JH, Leigh MS, Paduch A, Maddison KJ, Armstrong JJ, Sampson DD, Hillman DR, Eastwood PR.” Effect of body posture on pharyngeal shape and size in adults with and without obstructive sleep apnea. Sleep. 2008;31(11):1543-9.
A
síndrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS) é
importante clinico-epidemiologicamente. Os autores alertam que não
está claro o mecanismo responsável pela alteração
da sintomatologia desta síndrome na mudança de
decúbito, sendo o tamanho e a forma da faringe um fator causal
provável. A partir dessa hipótese, os autores
utilizaram tomografia anatômica de coerência óptica
para visualizar as vias aéreas superiores (VAS) em indivíduos
com SAOS comparativamente ao grupo controle. Foram recrutados de um
laboratório de polissonografia onze homens com IMC menor do
que 30 e com diagnóstico recente de SAOS (índice de
apneia-hipopneia – IAH>10/h). Os casos foram selecionados com
base na presença ou ausência de SAOS posicional
(definida como IAH supino> 2 vezes AIH lateral e o total
IAH>12.5/h, tendo dormido>
30
min em cada postura). O grupo controle foi composto de sujeitos
similares em gênero, IMC e idade, mas sem história de
ronco habitual, recrutados de serviços de clubes locais.
Nesses, a SAOS foi excluída por polissonografia. A tomografia
visualizou as VAS de todos os sujeitos acordados e respirando
tranquilamente, em decúbito dorsal e depois em decúbito
lateral. Uma posição padrão da cabeça,
pescoço e da língua foi mantida durante o exame. Foram
obtidas nas regiões orofaríngeas e velofaríngeas
em ambas as posturas para definição de índices
dos formatos regionais das VAS: área transversal das VAS
(ATVAS) e diâmetros ântero-posteriores (A-P) e laterais
das regiões orofaríngeas e velofaríngeas. Em
posturas equivalentes, o índice dos diâmetros A-P /
lateral velofaríngeo de ambos os grupos foram iguais. Nos dois
grupos, esse índice era menor na posição supina
do que na lateral. A ATVAS era menor nos pacientes com SAOS do que
nos controles, mas não era afetada pela postura. O estudo
mostrou que as VAS mudaram para uma forma mais circular quando em
decúbito lateral, comparativamente ao dorsal (mais elíptico),
mas sem alterar a ATVAS (área). Segundo os autores, o aumento
desta circularidade diminui a propensão de colapso do tubo e
pode explicar a dependência postural na SAOS. Em resumo, as VAS
mudaram de forma quando se passou do decúbito dorsal para o
lateral, sem alterar a sua área transversal, em indivíduos
com ou sem SAOS. Assim, é judicioso, até mesmo como
medida preliminar à aplicação diagnóstica
da polissonografia e uso nem sempre viável do Continuous
positive airway pressure (CPAP),
recomendar aos pacientes com suspeita de SAOS alterar o seu decúbito
do supino para o lateral durante o sono com o objetivo de reduzir a
sua sintomatologia.
Fernanda Sobral Carnaúba
Marleide da Mota Gomes
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Academia Brasileira de Neurologia-São Paulo, Brasil