Boletim Neuro Atual, Vol. 2, No 2 (2010)

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Neurologic dengue manifestations associated with intrathecal sp

Boletim Neuro Atual- Resenhas de Trabalhos Científicos em Neurologia.

Volume 2, Número 2, 2010


Neurologic dengue manifestations associated with intrathecal specific immune responses.” Puccioni-Sohler M, Soares CN, Papaiz-Alvarenga R, Castro MJC, Faria LC, Peralta JM. Neurology 73, October 2009: 1413-1417.


Os autores descrevem algumas características epidemiológicas da doença no Brasil, e listam os quadros neurológicos mais comuns em sua apresentação: síndrome de Guillain-Barré (SGB), encefalite/encefalopatia, mielite, meningite, encefalomielite aguda disseminada, polineuropatia, mononeuropatia facial e ulnar e hemorragia cérebro-meníngea. A seguir relatam dez pacientes com manifestações neurológicas associadas à dengue (5 SGB, 3 mielites, 1 encefalite, 1 neuromielite óptica), avaliados durante períodos epidêmicos, estudando nestes pacientes a síntese intratecal de anticorpos contra o vírus da dengue e sua relevância clínica e fisiopatológica. Destes pacientes, apenas um não mostrava perfil inflamatório no LCR. Todos tinham reação sorológica positiva para dengue, tanto IgM quanto IgG. Anticorpos IgM específicos foram encontrados no LCR em sete destes pacientes (alta especificidade - 97%, baixa sensibilidade – 46%), e anticorpos IgG específicos em nove deles, o que poderia ser resultado de alterações de permeabilidade ou síntese intratecal. A detecção da síntese local no SNC destes anticorpos específicos tem sido útil no diagnóstico de diversas doenças neuroinfecciosas. Os autores relatam que dos nove pacientes positivos para anticorpos IgG, apenas 3 apresentavam síntese intratecal destes anticorpos, todos eles com apresentação clínica de mielite. Os mecanismos pelos quais a infecção pela dengue pode resultar em manifestações neurológicas parecem ser: 1) invasão direta do SNC pelo vírus; 2) reação autoimune secundária à infecção sistêmica ou por mecanismo imunoalérgico pós-infeccioso; 3) encefalopatia secundária a distúrbio metabólico; 4) hemorragia cérebro-meníngea associada a trombocitopenia. O estudo sugere que a síntese intratecal de anticorpos específicos esteja relacionada com o mecanismo de invasão viral na patogênese da doença inflamatória da medula espinhal.



Comentário:


Além do artigo fornecer importantes conhecimentos sobre uma doença que tem se expandido em nosso país, que já ultrapassa em muito os limites do Estado do Rio de Janeiro, faz-se necessário divulgar um trabalho realizado por brasileiros e publicado num dos mais renomados periódicos mundiais na área de Neurologia.


Ronaldo Abraham




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